Arquivo do mês: janeiro 2011

das sedes dos meus olhos

meus olhos tem sedes silenciosas
procuram as distâncias e nuvens
não dormem antes da noite
e esperam chegar o dia
são sedes insones as sedes dos meus olhos
querem a pimenta e o cravo de cada beleza
um ruído azul e verde
um grito amarelo de primavera
as liturgias do ocaso
e as canções da manhã
são sedes silentes as sedes dos meus olhos
que bebem nas chuvas as palavras do vento

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pedra

deve ser o coentro e as formigas todas
e todas as vezes que uma andorinha pousa
que me diz o capim de tanta festa?
antes de casa e quintal cavalo macerou amoras?
antes de casa e quintal por aqui dormiram cobras?
deve ser esse diálogo que invento
gosto dos quintais pelo que me cantam
coisa não plantada que nasce
rastros que se descobrem por baixo
queria um poema assim
queria que me procurassem por de-baixo
me desenterrassem das palavras
me dessem luz e ar
como a uma pedra
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