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Pouso

(p/ gui cardoso)

 
Passarinho de gaiola \ não se sabe nuviar
tem sol lá fora mas tanto faz \ Passarinho, passarinho não é mais
 
Passarinho cantador \ canta mesmo a repetir
as toadas de um sertão \ que ele só sabe de ouvir
 
Bem te vi \ te vi viver
logo aprendi \ reconhecer
que o meu lugar \ é o lar de lá
voando alto \ quase sem pousar

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Das Matérias Que Compõem Minhas Brevidades

Que entendam por brevidades
minhas poesias, minhas canções, meus personagens,
inventos, adejos, celebrações e ausências.
 
É preciso pouco, visto que é breve.
 
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PRIMEIRO recolha nódoas do tempo,
esse sumo adocicado que em tudo respinga
e que tudo transforma em tempo.
 
Observando que
um recipiente de matéria de não-tempo
é importantíssimo, para que dure o espaço da admiração.
 
É risco unicamente de quem colhe
já que assepsias são impossíveis.
Aquilo que se desatento o tempo toca
vira vento, mas,
quanto se apascenta  em banho de febre de vontade e gozo
vira pensamento.
 
Nem bom nem mal, vento ou pensamento.
Ambos cabem no espaço da admiração.
 
 …………………………………………………………………………………
 
SEGUNDO quando o silêncio aparecer, permita.
Tem dias que o silêncio quer cantar
e tocar suas cordas.
 
Há madrigais belíssimos guardado na luz,
encha umas moringas e deixe dormir uns anos,
acorde as notas quando for dia se pondo.
 
O silêncio canta com voz de grilos mas também de meninos.
 
Uma nota posterior importante,
rádios velhos e o término das chuvas
guardam silêncios enormes.
 
 
 
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das sedes dos meus olhos

meus olhos tem sedes silenciosas
procuram as distâncias e nuvens
não dormem antes da noite
e esperam chegar o dia
são sedes insones as sedes dos meus olhos
querem a pimenta e o cravo de cada beleza
um ruído azul e verde
um grito amarelo de primavera
as liturgias do ocaso
e as canções da manhã
são sedes silentes as sedes dos meus olhos
que bebem nas chuvas as palavras do vento

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pedra

deve ser o coentro e as formigas todas
e todas as vezes que uma andorinha pousa
que me diz o capim de tanta festa?
antes de casa e quintal cavalo macerou amoras?
antes de casa e quintal por aqui dormiram cobras?
deve ser esse diálogo que invento
gosto dos quintais pelo que me cantam
coisa não plantada que nasce
rastros que se descobrem por baixo
queria um poema assim
queria que me procurassem por de-baixo
me desenterrassem das palavras
me dessem luz e ar
como a uma pedra
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dos frutos daquele quintal

trago comigo as sementes de um poema
penso que o solo de onde moro permita florir
uma lágrima à sombra da janela
ou ali onde sol bate entardecendo
plantar um milagre vermelho
aguardo um momento de folhas
um carinho de húmus na terra dos dedos
aguardo um segredo de flores
e também resposta do tempo
antes que me brotem nos bolsos
um jardim de sentimentos
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